Ju Pontes: além da arroba

Pode chamar de mãe da Júlia, de mãe do José e do Tomé, de mulher do Marcos, de fisioterapeuta e até de blogueira. Tudo bem. Só não pode chamar de Juliana, essa ela nem sabe mais quem é. É Ju. Ju Pontes, uma mulher que vive a maternidade de forma leve, saudável e possível. Partilha seu dia com milhares de seguidores e se divide em mil para cuidar da família e do trabalho. Sem esquecer do autocuidado, claro. 

Nas redes sociais, inspira mulheres a não se deixarem em segundo lugar, compartilha dicas, receitas e uma dose de bom humor. Isso, sem se deixar tomar pelo lado tóxico das mídias digitais. É tão autêntica que não vê problema em, se for o caso, se mostrar vulnerável. Mas garante que há um limite. Uma linha tênue que separa a vida privada do like dos seguidores. E é pra descobrir o que existe além da arroba que conversamos com ela: 

Como e por que você decide começar a dividir o seu dia a dia com os seus seguidores no Instagram? 

Foi por acaso, não foi nada premeditado. Acho que por isso as pessoas se identificam tanto. Comecei no Instagram quando lançou, postando foto da Júlia, dos treinos na academia, foto de receita, uma dica… Quando veio o snapchat e depois os stories, as pessoas foram me conhecendo mais e se identificando, e os seguidores foram mudando. Quando vieram os meninos, já veio um público mais de mães. 

 

Você é mãe da Júlia, de 9 anos, e dos gêmeos, de 2 anos, quais foram as diferenças entre essas duas gestações?

A minha primeira gravidez foi bem difícil. A gravidez mesmo. Foi no geral uma gestação bem complicada. O pós operatório também não foi fácil, e nessa época meio que decidi que ia ter só a Júlia mesmo. Mas meu marido queria que a gente tivesse outro filho. Depois de um bom tempo, decidi tentar. E que bom que tentei. Foi tudo diferente. Tive, claro, um choque inicial de serem gêmeos, mas no geral foi tudo tranquilo. Trabalhei no hospital até um dia antes de ter eles. Foi tudo ao contrário pra me mostrar realmente que eu tinha nascido pra isso. Para ser mãe. Tanto que eu não quis ter babá.

 

Mas com a Júlia você tinha tido babá, né? Por que com os gêmeos você decidiu que não queria? 

Deles, eu decidi que eu mesma queria cuidar. Foi realmente tudo diferente. Me lembro que as pessoas falavam, “se da Júlia tu precisou de babá, deles é que tu vai querer mesmo, porque são dois” e eu respondia “É? Pois vamos ver. Se precisar, não tem problema não, mas eu quero tentar”. A minha mãe me ajudou no começo e no decorrer do tempo, com um mês, ela voltou pra casa e eu fiquei com eles. Me surpreendi comigo mesma, com minha força. Criei uma rotina e fui conseguindo. E até hoje, não tenho.

 

E pra equilibrar com a rotina do seu trabalho como fisioterapeuta, como você faz?

Então, eu abri mão de trabalhar os dois períodos. Fico com os três pela manhã e à tarde a Júlia vai para a escola e os dois vão para a creche. Diminuir minha carga horária me fez ficar mais realizada, porque tanto fico com eles, quanto tenho esse meu lado profissional. Amo ser mãe, mas amo também fazer o meu trabalho. Agora com a pandemia, foi que tive mesmo que abrir mão de trabalhar, porque não tinha mais quem ficasse com eles e desse conta da casa. Nesse período, ficou só eu pra cuidar de casa, dos três meninos, fazer comida e o que mais aparecer. 

Com tanta coisa, como você faz para não negligenciar o autocuidado? 

Mãe tem mesmo isso de querer cuidar de Deus e o mundo e não querer se cuidar. Depois da gravidez da Júlia, eu estava me perdendo. Sentia dores no trabalho. Só cuidava de marido, de casa, de filho e foi nessa hora, a Júlia tinha um ano e pouco, que comecei me cuidar e não parei mais. Indo para a academia, tive contato com receitas mais fitness, comecei a testar e me apaixonei. Aí virei também essa chave da alimentação. Na gravidez dos meninos, fiz exercício e continuei indo pra academia. Agora, durante a pandemia, acordo 5 horas da manhã, antes de todo mundo acordar e faço minha rotina de exercícios. E aí o negócio flui. 

 

Você expõe uma parte da sua vida nas redes sociais e há um lado negativo das redes, né? Como você lida com isso?

As pessoas acham que, porque eu exponho no Instagram uma parte da minha vida, elas têm o direito de se meter. Como não vivo disso, tenho uma liberdade maior de falar o que quero. Eu, por exemplo, tenho amigas influenciadoras que se privam de falar de certos assuntos para não perder seguidores ou porque a marca tal não vai gostar, e eu não quero ficar presa a isso. As pessoas estão meio doidas. Não quer, não gosta, é só não seguir e se falar algo que não gosto, eu bloqueio. 

 

E por que ainda assim você continua nas redes?

Acho que eu inspiro e ajudo muito mais as mulheres do que tem esses pequenos casos de gente que aparece para reclamar. Esse lado de uma maternidade mais leve, de deixar as crianças mais soltas, serem mais autônomas, ajuda muitas mães. E recebo muita mensagem positiva de quem se inspirou a ter uma vida mais saudável e mais leve. 

 

Você tem uma preocupação com essa coisa do padrão? Para que sua rotina não pareça uma imposição?

Tenho. Procuro sempre passar que é natural, não é uma obrigação. Não é uma imposição. Eu, por exemplo, acordo 5 horas da manhã para o meu momento de autocuidado, por eu ser muito diurna, mas já tem muitas mulheres que são mais da noite e tá tudo bem. Cada um faz de um jeito. Não consegue fazer? Não conseguiu hoje? Tudo bem também. No outro dia vai. E eu levo muito assim na minha vida também e procuro passar que tem respeitar seu corpo e seus limites.